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há 4 dias
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O secretário de Cultura e Turismo de Salvador, Pedro Tourinho, fez duras críticas na terça-feira, 17 de dezembro, após Claudia Leitte alterar, mais uma vez, a letra de uma música. E recebeu apoio de Ivete Sangalo, aumentando ainda mais zumzunmzunm.
No último dia 15, a cantora de “Caranguejo” substituiu a menção à orixá Iemanjá por uma referência a Jesus Cristo. A atitude da cantora reacendeu debates sobre apropriação cultural e racismo no universo da música baiana, colocando o Axé em destaque nas discussões.
Tourinho, sem mencionar diretamente o nome da artista ou o trecho modificado, exibiu cards com um texto reflexivo, destacando a relevância histórica e cultural do Axé e das religiões de matriz africana. “Caranguejo” é um sucesso do axé music composto por Alan Moraes, Durval Luz, Luciano Pinto e Nino Balla.
“Axé é uma palavra de origem yorubá, que tem um significado e um valor insubstituível na cultura e nos cultos de matriz africana. Deste mesmo lugar vêm os toques de percussão que sustentam e dão identidade ao Axé Music”, escreveu o secretário.
O episódio aconteceu no último sábado, 14 de dezembro, durante o primeiro ensaio de verão de Claudia Leitte no Candyall Guetho Square, espaço histórico criado por Carlinhos Brown em Salvador. Na apresentação, a cantora substituiu o verso “Saudando a rainha Iemanjá” por “Eu canto meu Rei Yeshua”. Vale ressaltar que ela já havia feito isso em outros shows, desde 2014, quando anunciou sua conversão religiosa.
A modificação não passou despercebida. Vídeos do show viralizaram nas redes sociais, gerando uma onda de críticas. Muitos internautas e figuras públicas apontaram que a atitude desrespeita as raízes culturais e religiosas do Axé, reforçando a discussão sobre o papel da branquitude em movimentos musicais historicamente negros.
Pedro Tourinho foi além, abordando o protagonismo de artistas brancos no Axé Music, enquanto muitos músicos negros permanecem invisibilizados.
“Sempre há tempo para refletir, entender, mudar e reparar. O papel da cultura negra no Axé Music, o protagonismo dos cantores brancos e a desvalorização de compositores e percussionistas negros são fatos inegáveis. Não se trata de caça às bruxas, mas de justiça e reconhecimento”, declarou.
Para Tourinho, apagar os nomes dos orixás das músicas é um gesto que não pode ser ignorado. Ele classificou a atitude como racista, enfatizando o impacto disso na preservação da cultura afro-brasileira. “Quando um artista, que se beneficia da cultura negra, opta por reescrever a história e retirar o nome de orixás das músicas, o nome disso é racismo”, afirmou categoricamente.
Fonte: ofuxico.com.br/polemica/ivete-sangalo-aplaude-critica-a-claudia-leitte-em-meio-a-polemica-religiosa