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Morre Manuel Arjona, fundador do Locomía, aos 58 anos

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Publicado em 02/07/2026 às 00:00, há 15 horas

O universo da música pop perdeu um de seus nomes mais emblemáticos. Manuel Arjona, integrante da formação original do grupo espanhol Locomía, morreu aos 58 anos. A informação foi confirmada por pessoas próximas ao artista ao jornal El País. Ele faleceu na quarta-feira, 02 de julho, em Viladecans, na região de Barcelona. Até o momento, a causa da morte não foi divulgada.

 

De acordo com relatos de amigos, Arjona passou o dia pintando normalmente. Depois disso, foi dormir e não acordou mais, encerrando de forma inesperada a trajetória de um dos rostos mais marcantes do fenômeno musical que conquistou a Espanha e a América Latina no fim dos anos 1980.

Muito antes de alcançar fama nos palcos, entretanto, Manuel Arjona encontrou em Ibiza um espaço para viver com liberdade. Criado em uma família conservadora, ele já contou, em entrevista ao El País, que a mudança para a ilha transformou completamente sua vida.

“Pousei em Ibiza e me pareceu outro planeta. Eu vinha de uma cidade pequena, onde tinha que esconder minha identidade sexual. E na ilha, se você era um garoto e usava saia, ninguém te olhava. Foi uma mudança selvagem”, disse na ocasião.

Foi justamente em Ibiza que nasceu o embrião do Locomía. Idealizado por Xavier Font, o projeto começou em 1984 primeiramente como um grupo de performers ligados à famosa boate Ku. Na época, a proposta chamava atenção pela combinação de moda, dança e performances ousadas, muito antes de a música se tornar o foco principal.

O visual extravagante rapidamente virou marca registrada. Ombreiras, roupas chamativas, sapatos de bico fino e, principalmente, os enormes leques fizeram do grupo um verdadeiro fenômeno estético. Inspirado em um espetáculo visto em Sitges, Xavier Font transformou o acessório em um dos maiores símbolos da cultura pop da época.

O sucesso musical logo começou quando o produtor José Luis Gil percebeu o potencial do grupo e propôs transformar os performers em uma banda pop. A partir daí, Manuel Arjona passou a integrar a formação que levou o Locomía ao estrelato.

Em 1989, o lançamento do álbum “Taiyo” consolidou a carreira do grupo. Canções como “Locomía”, “Taiyo” e “Rumba Samba Mambo” dominaram rádios, programas de televisão e pistas de dança. Enquanto isso, a mistura de pop, dance e referências latinas, aliada às coreografias sincronizadas, ajudou a transformar o quarteto em um dos maiores sucessos da virada dos anos 1980 para os anos 1990.

No entanto, o período de maior projeção durou pouco. Conflitos internos, mudanças de integrantes e desentendimentos com empresários marcaram o início da década seguinte. Xavier Font deixou o grupo em 1990 e, dois anos depois, Manuel Arjona também encerrou sua participação.

Apesar das diversas reformulações ao longo dos anos, a fase considerada clássica permaneceu ligada aos primeiros discos e ao impacto cultural que o grupo provocou.

Nas últimas temporadas, a trajetória do Locomía voltou a despertar interesse do público. Em 2022, uma série documental revisitou a ascensão da banda e os bastidores do sucesso.

Já em 2024, a história ganhou uma adaptação para o cinema com “Disco, Ibiza, Locomía”. O longa retratou a origem do grupo, sua explosão internacional e os conflitos enfrentados durante a carreira.

Na produção, Iván Pellicer interpretou Manuel Arjona, enquanto Jaime Lorente viveu Xavier Font.

Com a morte de Arjona, chega ao fim a história de um dos protagonistas de um dos grupos mais originais da música espanhola. Seu legado, entretanto, permanece vivo por meio das canções, da estética marcante e da influência que o Locomía exerceu sobre a cultura pop de uma geração.

Fonte: ofuxico.com.br/morte/morre-manuel-arjona-fundador-do-locomia-aos-58-anos

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