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Elton John mostra no Rock in Rio que o tempo não diminui uma lenda

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Publicado em 08/09/2026 às 00:00, há 2 dias

Há artistas que fazem shows. Outros carregam a própria história para o palco. Elton John pertence ao segundo grupo. Aos 79 anos, o britânico voltou ao Brasil depois de 11 anos e, em sua terceira passagem pelo Rock in Rio, transformou a noite de segunda-feira, 7 de setembro, em um encontro entre memória, música e gerações.

 

O figurino não deixava espaço para discrição: paletó amarelo fluorescente, camisa azul-marinho e óculos em sintonia com o visual. No entanto, era impossível não perceber que o espetáculo tinha outro protagonista. Elton, agora o headliner mais velho da história do festival, parecia confortável diante de uma plateia que conhecia cada pausa, cada refrão e cada clássico de sua trajetória.

Poucas palavras, muitas canções

Foram 24 músicas em duas horas e 15 minutos, com interações econômicas e um repertório que dispensava grandes discursos. Afinal, em determinados momentos, as canções falam melhor que qualquer declaração ensaiada. “Rocket Man”, “Crocodile Rock” e “Your Song” encontraram uma multidão pronta para cantar, enquanto “Cold Heart” fez a ponte entre o passado e uma geração que talvez tenha conhecido Elton pela parceria com Dua Lipa.

Ainda assim, houve espaço para histórias. Antes de “Candle in the Wind”, o cantor lembrou Marilyn Monroe. Já ao falar de “Skyline Pigeon”, recordou a curiosa relação da música com o Brasil e sua popularidade por aqui graças à novela “Carinhoso”, de 1973. Eram intervenções rápidas, porém suficientes para aproximar o artista de um público que conhece sua obra, mas também coleciona memórias particulares com suas músicas.

O Brasil que Elton não esqueceu

Um dos momentos mais sinceros da noite surgiu quando Elton falou sobre o carinho dos brasileiros. Ele recordou a frustração com o cancelamento de um show no Rio, em 2020, durante a pandemia, e contou que aceitou o convite para o Rock in Rio também como uma forma de agradecer. Não parecia um discurso protocolar. Pelo contrário, havia ali o reconhecimento de uma relação construída ao longo de décadas.

É curioso observar Elton John cantar “I’m Still Standing” numa fase em que desacelerou a agenda desde 2023. A frase, que sempre foi um de seus maiores símbolos de resistência, ganha agora outro peso. Talvez porque, aos 79 anos, ninguém espere que ele prove nada. Ainda assim, ele volta ao palco, toca por mais de duas horas e reúne avós, filhos e netos diante do mesmo piano.

O show não precisou reinventar Elton John. E essa talvez tenha sido justamente sua maior força. Em tempos de espetáculos cada vez mais dependentes de efeitos, surpresas e participações especiais, o britânico apostou em algo aparentemente simples: canções que sobreviveram ao teste do tempo. No fim, entre um paletó fluorescente e uma sequência de hinos, Elton lembrou ao Rock in Rio que envelhecer não significa desaparecer. Para uma lenda, às vezes, basta sentar diante do piano e começar a tocar.

 

Fonte: ofuxico.com.br/musica-e-shows/elton-john-mostra-no-rock-in-rio-que-o-tempo-nao-diminui-uma-lenda/#google_vignette

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